O que é inadimplência?

04 de março / 2020 (atualizado)

Você sabe o que realmente representa a inadimplência? Esse é um termo que vemos com frequência, nos jornais, nas conversas com amigos ou mesmo nas dicas sobre organização financeira. Só que também é comum confundir conceitos e não entender o que essa situação representa.

O maior problema de não entender, de fato, do que se trata é que você não consegue dimensionar o quadro corretamente. Por isso, é indispensável mergulhar nesse assunto para ficar livre de problemas e dificuldades.

Para ajudar, preparamos um post com tudo o que é preciso saber sobre a inadimplência. Preparado? Confira!

 

Afinal, o que é inadimplência?

O termo é usado para se referir às dívidas que não são pagas dentro do prazo. Ou seja, inadimplente é aquele que, por algum motivo, não conseguiu pagar suas contas antes da data do vencimento.

Apesar de parecer algo simples, a inadimplência pode causar sérios transtornos — desde a interrupção do serviço que está com as contas atrasadas até a inserção do nome em listas de restrição de crédito (o famoso “nome sujo”). Nessa situação, há novas barreiras para obter crédito e comprar algo de forma parcelada, por exemplo.

Quer entender melhor o que é inadimplência e como se livrar dela? Continue a leitura!

 

Qual é a diferença entre dívida e inadimplência?

Muita gente confunde, mas ter uma dívida não significa, necessariamente, estar inadimplente. Vamos começar entendendo que fazer uma dívida é assumir um compromisso financeiro. Você adquire ou contrata algo e se compromete a fazer o pagamento — normalmente, em parcelas ou de forma adiada.

É o caso de fazer uma compra com o cartão de crédito. Até que você pague a fatura, há uma dívida aberta. Também é o caso de contratos maiores, como um financiamento de casa ou de carro.

Já a inadimplência ocorre quando você não faz o pagamento no momento indicado pelo vencimento. Não se trata de um simples atraso, mas sim de não honrar um compromisso financeiro.

É o que acontece ao pagar apenas o mínimo da fatura do cartão. Se não for possível pagar o valor ao longo do tempo, ocorre a inadimplência.

A diferença de uma dívida em atraso e de um valor inadimplente é o tempo. O atraso é mais curto em relação ao vencimento. Já a inadimplência é considerada, em média, pelo não pagamento após 90 dias.

Então, vamos deixar claro: nem todo endividado é inadimplente, mas todo inadimplente esteve endividado primeiro.

 

Quais são suas consequências?

Como dissemos, a inadimplência ocorre quando deixamos de cumprir com nossas obrigações financeiras, atrasando as contas ou deixando de pagá-las. Dentro do universo jurídico, a inadimplência acontece quando descumprimos (total ou parcialmente) os termos de um contrato.

Quando isso ocorre, o inadimplente pode sofrer uma série de prejuízos, como:

  • multas e juros para o pagamento da conta em atraso (dependendo da conta, os juros podem correr diariamente e se tornarem bem altos. Alguns dos juros mais altos são relativos às dívidas bancárias, como do rotativo do cartão, que podem chegar a mais de 300% ao ano, e do cheque especial, que podem chegar a 8% ao mês);
  • restrição de crédito, com a inserção do nome do inadimplente no SPC e no Serasa. Isso dificulta as compras parceladas, eventuais financiamentos, empréstimos, abertura de contas em bancos, solicitação de cartão de crédito etc.;
  • problemas judiciais, sendo que a ação é a última medida que os bancos ou empresas tomam para tentar cobrar o valor devido. Em último caso, o inadimplente pode ter os bens penhorados ou sofrer o bloqueio da conta bancária;
  • cobrança de juros durante todo o período de atraso (ou seja, quando você for quitar a sua dívida, ela estará muito maior do que quando deixou de pagá-la);
  • suspensão dos serviços, como no caso do não pagamento de água, energia elétrica, telefone, celular, internet etc. Cada serviço tem uma política em relação ao tempo de atraso. A energia elétrica, por exemplo, pode ser cortada após 90 dias de atraso e os serviços não essenciais podem ser cortados após 15 ou 30 dias de atraso.

Dentro do que é inadimplência, além de todos esses problemas, atrasar as contas é capaz de criar uma verdadeira “bola de neve”. Afinal, fica cada vez mais difícil levantar o dinheiro para quitar o que se deve e é possível que o consumidor comece a atrasar outras contas, gerando um ciclo difícil de ser quebrado.

Para a economia, de um modo geral, o nível de inadimplência da população é sempre um fator preocupante.

Isso porque, se muitas pessoas deixam de pagar as suas dívidas, as empresas passam por dificuldades de funcionamento. Com isso, veem a necessidade de reduzir gastos, por exemplo, como por meio da demissão de funcionários — ou até, em casos extremos, do fechamento das portas.

 

Outras questões importantes

Além de todos esses problemas, existem mais “efeitos colaterais” da inadimplência, como:

  • necessidade de abrir mão de coisas relevantes: para equilibrar as contas e com maior dificuldade de crédito, às vezes é preciso deixar de comprar determinados itens ou modificar o padrão de vida da família;
  • prejuízos à saúde mental: de acordo com uma pesquisa do SPC e da CNDL, a inadimplência deixa as pessoas mais preocupadas com as dívidas, ansiosas com as contas atrasadas, estressadas com a situação financeira e culpadas pelo problema. Além disso, desenvolvem sentimentos negativos como fracasso, alterações no humor e até depressão. Isso chega até a afetar a produtividade no trabalho;
  • problemas de saúde: com as contas atrasadas, a dificuldade financeira e o acúmulo de cobranças, muitos inadimplentes que participaram da pesquisa relataram que desenvolveram problemas de saúde, como dificuldades para dormir, alterações no apetite e alterações de humor;
  • aumento dos vícios: o estudo também mostrou que muitos inadimplentes passaram a descontar a ansiedade com as contas atrasadas nos vícios, como cigarro, comida e álcool, e outros passaram a descontar esses sentimentos nas pessoas próximas, como a família, criando dificuldades de relacionamento.

Quais são as principais dúvidas sobre a inadimplência?

Apesar de essa falta de quitação dos compromissos financeiros assumidos ser relativamente comum, muita gente ainda tem dúvidas sobre o tema.

Principalmente, há alguns mitos relacionados a isso e esclarecê-los é essencial para melhorar o cuidado com as suas finanças. Para que não restem questões sobre o assunto, veja quais são as principais dúvidas (esclarecidas!) sobre a inadimplência.

Quem está inadimplente não pode ser contratado?

Isso é um mito. Mesmo que a pessoa esteja com o nome sujo, ela não pode ser impedida de ser contratada em um emprego por causa disso. Inclusive, nem sequer é permitido que os empregadores façam pesquisa do CPF ou usem o resultado como fator de decisão.

Se o candidato se sentir prejudicado por não ter o nome limpo, cabe o acionamento da justiça. Se a situação for comprovada, a empresa pode ter até que pagar multa.

Quem está inadimplente pode tirar passaporte?

Sim, bem como renovar o documento ou tirar visto. Isso se deve ao fato de a lei do país proibir que brasileiros tenham a locomoção impedida por conta de dívidas em aberto.

No geral, esse não é um critério para os consulados na hora conceder o visto. Então, a emissão de tal autorização também não é prejudicada.

Quem está inadimplente pode tomar posse em concurso público?

Depende. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) impede que um candidato seja excluído de uma vaga por causa da situação de crédito. No entanto, os concursos públicos têm regras próprias, já que não envolvem a iniciativa privada.

Por isso, alguns concursos podem vetar a contratação de candidatos com certas condições, incluindo o nome sujo na praça. Contudo, o candidato aprovado só será impedido de tomar posse se:

  • a condição estiver explícita no edital;
  • se o seu nome estiver sujo no momento de titulação.

Em casos extraordinários, pode-se recorrer à justiça, mas há poucas chances de reverter a situação.

A inclusão do nome na lista de inadimplentes é automática?

Não. A partir do primeiro dia de inadimplência, a empresa credora pode solicitar a inclusão do seu nome e do seu CPF na lista de inadimplentes. No entanto, há, primeiramente, o aviso ao birô de crédito.

A instituição, então, envia uma comunicação, com prazo de 10 dias para regularização da situação. Somente após o período é que ocorre a inclusão. Se você quitar a dívida antes, o registro não se concretiza.

O nome fica sujo de maneira definitiva?

Não. Depois que há a inclusão do CPF nos serviços de proteção ao crédito, o nome deixa de ficar sujo em qualquer momento em que houver a regularização. Caso isso não aconteça, o prazo é de 5 anos.

Mas tenha atenção: não é porque o seu nome sai da lista que a dívida deixa de existir. Ela ainda está lá e faz parte do seu histórico. Então, a regularização é a melhor saída.

 

Quais são os principais motivos que levam as pessoas a ficarem inadimplentes?

Agora que você entende o que é inadimplência, vamos conferir alguns dos principais motivos que levam as pessoas a essa situação?

A inadimplência ainda é uma realidade no nosso país. Em novembro de 2019, de acordo com os dados da Serasa Experian, o número de inadimplentes somava 63,8 milhões — 1,2 milhões a mais do que no mesmo período de 2018.

De todos os estados brasileiros, alguns chamaram a atenção nesse recorte pelo grande número de inadimplentes. No Amazonas, mais da metade da população (55,7%) se encontrava em situação de inadimplência, assim como em Roraima e no Amapá.

Agora que você entende a situação nacional, vamos ver alguns motivos para esse cenário.

1. Desemprego

O desemprego é um dos principais motivos para as pessoas atrasarem suas contas. Sem emprego, os consumidores priorizam o pagamento de apenas algumas dívidas (em geral, as mais básicas e necessárias) e atrasam outras, aumentando o número de inadimplentes no país.

2. Diminuição da renda

A diminuição da renda também foi citada como motivo para a inadimplência. Em geral, esse fator está muito associado ao primeiro.

Ao perder o emprego, é normal que haja também uma diminuição do poder de compra e de pagar as contas — e nem todos conseguem se adequar a esse novo estilo de vida.

Além do desemprego, o aumento da inflação influencia nesse ponto, já que o dinheiro passa a valer menos e as pessoas perdem esse poder de compra.

3. Falta de controle financeiro

Esse é um assunto recorrente quando falamos sobre inadimplência. A falta de controle financeiro ou de planejamento no orçamento também entra nos motivos das pessoas inadimplentes. Isso pode ocorrer tanto por motivos comportamentais (compras por impulso, por exemplo) como por falta de conhecimentos sobre educação financeira.

Nem todas as pessoas entendem e reconhecem o valor do seu dinheiro e acabam entrando em dívidas sem necessidade. Além disso, alguns desconhecem as formas mais saudáveis de lidar com a renda ou de planejar gastos.

4. Salário atrasado

O salário atrasado ou que não é pago dificulta a vida de muitos brasileiros. Infelizmente, essa é uma situação de “força maior” da qual o trabalhador não tem controle.

Com a crise econômica, muitas empresas passam por dificuldades, que se reflete também nos trabalhadores. Nesse caso, recomendamos que você procure seus direitos de trabalhador.

5. Parcelamentos

Muitas pessoas se “iludem” com a facilidade da compra parcelada. Quando notam já comprometeram a maior parte da sua renda, deixando de pagar ou atrasando outras contas por falta de dinheiro.

Ao parcelar uma compra, assumimos uma dívida que pode ser de médio ou de longo prazo, e é essencial adicionarmos esse valor no orçamento mensal. Se isso não ocorre, é fácil perder o controle e acabarmos com dívidas maiores do que o salário mensal.

6. Crédito fácil

Atualmente, está muito mais fácil conseguir fazer compras parceladas, realizar empréstimos e até receber “crédito” extra em bancos. Isso pode ser um atrativo que faz com que algumas pessoas se tornem inadimplentes. Afinal, fica mais fácil gastar além do que se pode arcar.

Existem outros motivos para a inadimplência que envolvem situações emergenciais, como problemas de saúde ou familiares, ou, então, motivos que incluem cobranças indevidas ou a tentativa de ajudar algum amigo que precisou de dinheiro.

Se você se encaixa em algum desses grupos, saiba que são problemas comuns e que podem ser resolvidos seguindo algumas dicas que vamos apresentar a seguir.

 

Como prevenir a inadimplência?

Tão importante quanto entender o que é esse conceito é saber como evitar que essa situação se concretize. Assim, você vai manter a sua saúde financeira e evitar problemas em relação ao seu crédito.

Apesar de muitas situações parecerem difíceis de evitar, como a perda do emprego, as oscilações na economia e os atrasos nos salários, é possível fugir do não pagamento de dívidas.

Separamos algumas dicas importantes que podem te ajudar a organizar a vida financeira:

  • crie o hábito de desenvolver um orçamento mensal, incluindo tudo o que você ganha e gasta. Acompanhe essa planilha, evitando contas maiores do que você pode arcar;
  • analise as suas contas e pondere o que pode ser cortado ou reduzido para melhorar sua vida financeira;
  • mantenha uma reserva de emergência, destinando recursos para esse fim todos os meses (quando algo ocorrer fora do planejado, você evita ficar endividado);
  • evite comprar itens desnecessários e comece a planejar melhor suas aquisições;
  • tenha metas financeiras, como quitar suas dívidas, comprar um carro, viajar;
  • traga a família para esse processo, conversando sobre a realidade financeira de vocês e as necessidades de ajustes.

Como sair da inadimplência?

Se não for possível evitar se tornar inadimplente, você ainda pode sair dessa. Para isso, é preciso saber como lidar com a situação para evitar que o problema se prolongue — e as consequências, também.

Então, que tal descobrir qual é a luz no fim do túnel nessa situação? Venha entender como sair desse cenário!

Conheça quais são os seus débitos

Para se livrar dos débitos, é preciso conhecê-los de forma completa, em primeiro lugar. Por isso, o ideal é começar pela identificação dos débitos que são considerados inadimplentes.

Faça uma pesquisa nos birôs de crédito ou em serviços especializados e confira quais são as suas dívidas, os valores e há quanto tempo constam no seu nome. Assim, há como ter uma ideia de quanto é necessário para quitar.

Dê preferência às mais antigas ou mais caras

Em geral, é mais difícil pagar contas mais antigas, em relação às recentes. Por isso, vale a pena tentar quitar as que existem há mais tempo e, depois, as que tiveram inclusão recente.

A exceção fica para os débitos que forem mais caros, como o valor do cartão de crédito ou do cheque especial. Quando as taxas de juros são elevadas, o melhor é quitar de uma vez para evitar o crescimento descontrolado. Priorize o pagamento com esses critérios para a sua saída ser mais rápida.

Negocie as dívidas e faça acordos

Em vez de pagar todo o valor acumulado de uma só vez, você pode conseguir descontos e outras condições especiais. É o caso de abater parte dos juros e dividir o valor restante em parcelas que caibam no orçamento, por exemplo.

No lugar de procurar cada credor para fazer isso, há como ter o apoio de uma solução especializada, como a emDia. Toda a negociação pode ser feita pela internet, desde a escolha da dívida a ser paga até as condições ideais.

Depois de pagar a primeira parcela do acordo, seu nome ficará limpo novamente em até 5 dias. Só tome cuidado para manter a quitação das outras prestações em dia e evitar nova negativação.

Atrasar o pagamento das contas pode trazer sérias consequências. Desde o pagamento de multas e juros até questões de saúde mental, como aumento do estresse e ansiedade por causa das contas atrasadas, são muitas as consequências da inadimplência.

Apesar de serem vários os motivos que podem levar uma pessoa a ficar inadimplente, com planejamento, é possível evitar essa situação e deixar de ser um devedor. A negociação de dívidas é uma das maneiras mais simples de conseguir isso, com parcelamentos e juros menores.

 

Negociar na emDia

Marcella Menasce

por Marcella Menasce