Afinal, o que é Selic?

20 de maio / 2020 (atualizado)

“O Copom voltou a cortar a Selic, agora para 2,25% ao ano. Estabelecendo uma nova mínima histórica, o Banco Central declarou…”

Assim começa mais uma notícia e, vamos combinar, nem sempre o pessoal do jornalismo econômico faz muita questão de explicar o que é a taxa Selic ou o que ela tem de tão importante para justificar que qualquer mexidinha acabe virando notícia. Afinal, o que muda quando a Selic muda?

Quer entender de uma vez por todas o que é a taxa Selic e por que ela importa? Neste post, nós da emDia trazemos para você o quê, quem a define e o que suas subidas e descidas impactam, na prática, o nosso dia a dia. Ah, e prometemos fugir do economiquês.

Vamos juntos?

 

O que é a taxa Selic

A Selic tem um outro nome que você ouve — e lê — bastante por aí: taxa básica de juros. De modo geral, todo país tem a sua e Selic é o nome da nossa. São duas as selics, over e meta. A Selic que a gente vê dia sim dia não nos noticiários é a Selic Meta, e é nela que vamos focar neste texto. Combinado?

O resumo da ópera é que o governo tem duas maneiras básicas de levantar dinheiro para realizar obras, auxílios, pagar servidores e tudo o mais: impostos e títulos públicos. Sobre impostos, nós falamos bastante neste outro artigo que você pode conferir clicando aqui

Os títulos públicos, por sua vez, são papéis emitidos pelo estado. Você pode pensar nesses papéis como se você estivesse comprando um pedacinho da dívida do Brasil e, em troca, pela sua gentileza, o governo paga a você certo rendimento — determinado valor em juros. 

Que valor? A nossa querida taxa Selic — quanto mais alta a Selic, mais juros você recebe por esse título público. Quem define esse valor? O tal do Copom (sigla para Comitê de Política Monetária), que é um órgão ligado ao Banco Central e o principal responsável por manter o dragão da inflação adormecido

Isso tudo significa, na prática, que a Selic é a menor taxa de juros praticada no Brasil. O Copom usa a Selic para botar mais ou menos dinheiro na praça e estimular o consumo ou a poupança, o que ajuda o governo a ter controle da inflação. Como exatamente? Segue com a gente.

 

A Selic e a Inflação

A taxa Selic, no momento que escrevemos este texto, está em 2,2,5% ao ano, a menor da história. O ponto-chave aqui é entender que, embora o governo esteja estipulando o valor dos juros pagos nos títulos públicos, isso causa um efeito cascata em todas as taxas de juros praticadas no mercado — empréstimos nos bancos, cartão de crédito, poupança, dívidas etc. 

Ou seja, Selic mais baixa significa tanto que está mais barato para pegar aquele empréstimo e abrir um negócio ou reformar a casa, quanto que a poupança está rendendo muito pouco (percebeu como tem tudo a ver com nosso dia a dia?).

Então, na teoria, se o governo está puxando os juros para baixo e está mais barato para pegar dinheiro emprestado e menos vantajoso guardá-lo, quer dizer que existe mais estímulo ao consumo. Mais gente comprando, produtos mais caros nas prateleiras e a inflação tende a subir. 

Por outro lado, se a coisa começar a ficar preocupante, o governo pode ir lá e subir a Selic, criando um estímulo para que as pessoas guardem mais dinheiro, já que a poupança, por exemplo, está especialmente charmosa… Menos consumo, menos demanda, os preços caem — e a inflação cai junto.

Isso tudo é o jeito mais orgânico de pensar a situação. Além disso, o governo tem mecanismos um pouco mais agressivos de fazer esse controle. O Banco Central pode ir ao mercado e comprar esses títulos, diminuindo a quantidade de dinheiro na praça (inflação, lembra?); ou o oposto, pode emitir e vender novos títulos, o que, bem na prática, não é tão diferente de mandar a Casa da Moeda ligar as impressoras.

 

A Selic e o Dólar

Enquanto escrevemos este texto, o dólar está se aproximando de mais um recorde: 6 reais para cada dólar americano. Lembra que estamos com a menor Selic da história? Então, não é coincidência. 

Os países mais desenvolvidos do mundo têm taxas básicas de juros tão baixas que elas chegam, inclusive, a serem negativas! Sim, negativas. Em países como o Japão e a Suíça, como esses juros são negativos, é como se você pagasse para o governo guardar o seu dinheiro quando coloca as suas economias na poupança ou em títulos públicos. Isso faz com que os investidores desses lugares procurem outros países, com juros mais altos, para investir. É aqui que a gente entra.

Lá pelos idos de 2015, a Selic estava girando em torno de 14%. Isso fazia com que os títulos públicos aqui do Brasil saltassem aos olhos dos investidores estrangeiros, o que, por sua vez, fazia mais dólar entrar no Brasil e o preço da moeda americana cair. Já se a Selic estiver baixa, como agora, esses investidores levam seus dólares para outros países com juros mais altos e o contrário acontece, menos dólares circulando no Brasil — o preço sobe.

 

A Selic e a Pandemia

Ufa! Repassando, então: o governo, por meio do Copom, usa a Selic para controlar a inflação. Isso tudo impacta o preço das coisas que compramos, os juros que pagamos em empréstimos e o valor do dólar (esse, por sua vez, afeta o preço de tudo que compramos importado ou com insumos importados, tipo o trigo da nossa pizza de domingo, mas essa conversa fica para outro dia). 

Isso tudo é uma simplificação, mas ajuda-nos a entender por que a Selic não é algo distante do nosso dia a dia. No momento atual, com a pandemia do Covid-19, essas relações se tornam um tanto mais confusas, pois, mesmo com a Selic lá embaixo, a própria situação faz com que o consumo seja baixo e as pessoas se sintam mais dispostas a guardar dinheiro do que abrir um negócio ou reformar a casa.

Entender o que é a taxa Selic e o beabá dos índices econômicos, além de ajudar a entender aquela notícia do jornal, é importante para termos mais clareza na hora de tomar uma decisão para a nossa própria organização financeira e nossos investimentos pessoais! 

 

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Marcella Menasce

por Marcella Menasce