Como e por que ensinar educação financeira para crianças

17 de agosto / 2020 (atualizado)

Quem tem filho ou sobrinho em casa sabe que uma ida ao supermercado ou passeio ao shopping pode se tornar uma missão quase impossível. É um docinho aqui, um brinquedo acolá e, quando você vai ver, a conta do cartão de crédito só aumentou. E agora, como ensinar educação financeira para crianças e resistir àquelas carinhas?

Se você não faz nem ideia de como começar, não se apavore ainda! É justamente sobre isso que vamos conversar hoje aqui neste post.

Siga a leitura!

 

Por que promover a educação financeira para crianças?

criança com notas de dinheiro nas mãos comemorando

Demos exemplo dos pedidos insistentes, mas não é só para evitá-los que você deve ensinar a educação financeira para crianças. Veja só bons motivos:

Ser um adulto consciente

O Brasil tem hoje um total de 63,8 milhões de inadimplentes. Seja qual for a razão, a falta de uma educação financeira costuma ser um complicador em diversos cenários. Poucas são as escolas que passam a importância desse entendimento para crianças e jovens que, consequentemente, não costumam se interessar pelo assunto.

Daí a relevância de formar adultos conscientes. Pra você ter uma ideia melhor do que estamos falando, pense que são pessoas que sabem:

Valorizar o dinheiro

É bom saber desde cedo que achar dinheiro é legal, mas não acontece sempre. O que temos é resultado de um esforço e, por isso, precisamos valorizar. Não ter noção sobre isso é um risco bem grande que você pode evitar que as crianças cometam no futuro, já pensou?

Entender os limites

Dizem que brasileiro não tem limites, não é? Por mais que isso renda bons memes, a realidade passa bem longe de ser algo positivo. Quem não aprende a importância dessa palavra desde a infância pode acabar em situações complicadas, principalmente com o cartão de crédito.

Então, a educação financeira para crianças é tão poderosa que pode até reduzir aqueles índices de inadimplência aqui no Brasil em alguns anos. Junto da consciência sobre o valor do dinheiro, serão adultos que sabem quanto recebem e têm para gastar a cada mês. Com um pouco mais de interesse, conseguem até fazer essas quantias se multiplicarem.

 

Como fazer esse ensino?

criança colocando dinheiro em cofrinho

Tudo muito lindo na teoria, não é mesmo? Pois saiba que a prática pode ser tão legal quanto se você adotar algumas das dicas que separamos logo abaixo.

Mas antes, pense com a gente: você vai falar com crianças e, por isso, deve usar uma linguagem próxima a elas. Deixe explicações e termos difíceis para depois e use exemplos do universo infantil.

Então, vamos colocar a mão na massa!

Dê uma mesada

Aqui você pode estar pensando: mas esse recurso não vai deixar as crianças mimadas? A resposta é: não, se tiver todo um contexto e algumas sugestões envolvidas. Os pequenos precisam entender que o dinheiro acaba e não surge no cofrinho deles quando bem entenderem.

Para usar um exemplo bem conhecido por aqui, que tal definir o 5º dia útil do mês para ser a data do depósito da mesada educativa? Assim, elas sabem que precisam gastar o dinheiro com cuidado para que ele chegue até o próximo pagamento.

Mas e como definir o valor dessa mesada? Uma boa dica é considerar o que as crianças poderiam gastar com ela –– e isso vai de perfil para perfil. Só tenha cuidado para não colocar quantias muito altas e o feitiço virar contra o feiticeiro. Não queremos pequenos consumistas, certo?

Não compre tudo que eles pedem

Imagine só se a gente pudesse comprar tudo o que quiser. Pois, na cabeça das crianças, esse sonho é bem simples: basta usar o dinheiro que se tem e finalizar a aquisição. Ou, então, passar o cartão mágico na maquininha e pronto! É por isso que elas pedem tanto em lojas e outros estabelecimentos comerciais.

Por mais que dê aquela dorzinha no coração, uma das principais dicas de educação financeira para crianças é dizer “não” algumas vezes.

  • O brinquedo não vale o preço que está sendo cobrado?
  • A criança já tem o modelo do brinquedo em casa?
  • Vocês conseguem encontrar a guloseima em outro lugar mais em conta?
  • Esse produto é o que a criança quer ou que realmente precisa?
  • Está chegando o fim do mês e, junto dele, o fim do salário?

Vale refletir com a criança a resposta para essas e outras perguntas e ver se a compra é realmente interessante. Crie nela o interesse sobre esse assunto e verá como ela aprende com maior naturalidade.

Dê o exemplo

Se para adultos já é difícil, imagine ensinar finanças para crianças! Nada melhor que usar o exemplo a seu favor, não acha? Então, nada de gastar sem necessidade e de reclamar sobre o seu salário ser pouco demais. Em vez disso, siga as próximas 2 dicas e incentive bons hábitos.

Tem gente que prefere não incluir os filhos na vida financeira da família. Mas talvez seja uma maneira interessante de incentivá-los a ter consciência sobre o tema. Então, explique os valores das contas fixas, como:

  • energia;
  • internet;
  • água e esgoto;
  • gastos com a educação dos pequenos, desde materiais àquela escolinha de esportes;
  • se houver, aluguel e condomínio.

Conte também a diferença para as contas esporádicas, a exemplo de um passeio no fim de semana. Assim, se algum dia não puderem ir por conta de orçamento, elas entendem mais facilmente. Aproveite para abusar da sinceridade e transparência.

Estimule o hábito de poupar

Poupar para ter pode ser um dos objetivos de toda a família. Aqui, vale retomar aquela pergunta sobre querer e precisar para conversar com as crianças. Explique que, quando gastamos com produtos de que não necessitamos, podemos nos arrepender e pior: precisar desse dinheiro para algo urgente e não ter.

Se quiser, pode começar a introduzir conceitos como “reserva de emergência“, que será aquela quantia usada somente para imprevistos. Os cofrinhos são bons aliados nesse momento –– e as crianças podem até ter um para cada necessidade, desde viagens a um jogo que querem muito ter.

Ensine a importância de investir

Vale sempre lembrar que investimento é uma tarefa importante e precisa de certos cuidados para dar bons frutos. Mas isso está longe de ser algo só para experts. Com ajuda de boas consultorias, você encontra aquele ativo ideal para suas necessidades. E é também mais um item da lista para ensinar finanças para os pequenos.

Se você optou pela mesada, o que acha de chamar a casa da família de banco e criar algumas taxas de investimento? As crianças podem aplicar parte do dinheiro recebido para as compras do mês, que rende x por ano, ou para a viagem de férias, ainda mais lucrativa –– a criatividade é o limite para essa instituição de mentirinha. O que vale é o aprendizado que fica.

Viu só como educação financeira para crianças não precisa ser complicado e pode até unir ainda mais a família? Então, não tem desculpa: comece a educar filhos, sobrinhos, afilhados e outros pequenos conhecidos para que se tornem adultos conscientes. Lembre-se de que não existe idade para esse aprendizado. Eles vão agradecer no futuro!

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Marcella Menasce

por Marcella Menasce