Liberdade Financeira: sonho ou realidade?

03 de junho / 2020 (atualizado)

Dinheiro na mão é vendaval? É vendaval… Pecado Capital, a bela canção de Paulinho da Viola, que abre com esse verso inesquecível e foi tema da novela de mesmo nome, acabou tornando-se parte do imaginário popular brasileiro quando o assunto é dinheiro. São dessas coisas que a gente repete sem nem pensar muito sobre de onde veio.

Infelizmente, se dinheiro na mão for vendaval, é bem provável que o fim do mês acabe sendo de dor de cabeça e nada de sobrar aquele trocado para investir em um futuro mais tranquilo e de liberdade financeira.

Liberdade financeira — e os primeiros passos para chegar lá — é o nosso tema da vez aqui no blog da emDia. Botar ordem na casa, limpar o nome e, um dia por vez, ter as atitudes que constroem um futuro mais tranquilo. Vem com a gente e boa leitura!

 

Liberdade financeira em 6 etapas

Separamos o sonho da liberdade financeira em seis etapas, com exemplos e daquele jeito descomplicado que a gente gosta.

Vamos lá?

 

Organize a casa (e o orçamento)

Vamos começar com uma pergunta: você sabe quanto você ganha? A resposta pode até parecer óbvia, mas pode ter um quê de traiçoeira. O passo zero para pensar um futuro com liberdade financeira é parar e botar na ponta do lápis quanto é a renda da sua família.

Se você trabalha com carteira assinada, some os salários líquidos (já descontados impostos e o FGTS, ou seja, o que cai mesmo na sua conta); se é autônomo, faça uma média dos ganhos reais dos últimos meses. Coloque na conta, também, qualquer outra fonte de renda que você tenha, como auxílios, pensões, aluguéis etc. Esse é o primeiro número que você quer ter na ponta da língua para começar a pensar em liberdade financeira.

Agora é hora de fazer o caminho inverso e entender para onde está indo sua renda. Se você é do tipo digital, existem ótimos aplicativos de organização financeira para ajudá-lo a anotar seus gastos. Se prefere as coisas mais à moda antiga, papel e caneta ou a boa e velha planilha fará o serviço.

Você pode começar dividindo seus gastos em duas frentes:

  • os fixos (ou quase isso), como energia, água, telefone, internet, aluguel, parcelas de financiamentos;
  • os grandes gastos previsíveis, como IPTU, IPVA e material escolar, divida-os por 12 e você vai ter uma boa noção de como eles impactam o orçamento do mês.

Se você subtrair esses gastos da renda total da sua família, dará para ter ideia de quanto dinheiro você realmente tem à sua disposição por mês. Serviços como água e energia podem ser interrompidos por inadimplência e não honrar os financiamentos pode levar ao confisco do bem financiado. Então, vale a pena encarar esses valores como um dinheiro que você não pode contar.

Para completar essa primeira etapa, passe a anotar os gastos da rotina, como alimentação, lazer e aquelas comprinhas do dia a dia. No fim do mês, você terá a oportunidade de olhar para isso tudo e entender para onde está indo sua renda — e talvez até se surpreender com algumas descobertas.

 

Passe um pente fino nos gastos

Com seus gastos mais organizados e maior clareza sobre para onde vai a sua renda, é hora de passar aquele pente fino e descobrir onde é possível economizar. Essa parte da história é tão importante quanto sensível, e é um exercício de entender o que é indispensável para você.

Se a pizza no domingo à noite é um ritual importante para sua família, um momento especial e de carinho, então encare esse como um gasto essencial — não tem nada de errado com isso. Por sinal, a gente tem um outro artigo todo sobre esses pequenos gastos e dicas para economizar sem sacrificar a pizza: É possível sair das dívidas comendo pizza? (spoiler: é sim!).

 

Estabeleça metas

A gente já falou mais a fundo aqui no blog da emDia sobre metas financeiras e que elas podem ser suas melhores amigas ou uma fonte de frustrações ilimitadas. Na hora de traçar uma meta, seja ela de curto, médio ou longo prazo, você pode usar como guia um método chamado Metas SMART.

Cada letra aqui representa uma palavra em inglês que é uma qualidade de uma boa meta. Traduzindo, uma boa meta deve ser: 

  • específica (nada de “vou guardar mais dinheiro”, coloque um número, tantos reais ou tantos por cento);
  • mensurável (de novo, algo que você possa medir e saber se chegou lá ou não);
  • atingível (estabelecer metas impossíveis é certeza de decepção);
  • relevante (algo que realmente faça a diferença na sua vida);
  • temporal (trabalhe com datas e prazos, como “este mês, vou guardar tantos reais”, “em um ano, vou ter tanto na minha reserva de emergência”).

 

Negocie e limpe o seu nome na praça

Acertar as contas com os erros do passado pode ser difícil, mas vale a pena. Faça um levantamento total das suas dívidas, consulte os birôs de crédito (alô, SPC e Serasa!) e renegocie suas dívidas (aqui a gente pode ajudar você). Muitas vezes, a gente acaba não quitando as dívidas para não comprometer aquela grana guardada na poupança, mas essa mentalidade nem sempre faz sentido.

Com a taxa Selic em uma mínima histórica, os investimentos mais populares como a poupança e o Tesouro Direto nunca renderam tão pouco. Isso quer dizer que a sua dívida certamente está crescendo num ritmo muito mais rápido do que os seus ganhos. Os juros do cartão de crédito, por exemplo, são para lá de altos, e rolar a dívida é a certeza de ver uma bola de neve se formando.

Além disso, nome sujo na praça impede você de ter acesso àquele empréstimo ou financiamento que pode ajudá-lo a realizar o sonho da casa própria ou a investir no seu negócio. Vamos renegociar essas dívidas? Faz uma consulta com a gente.

 

Tenha a famosa reserva de emergência

Organizou a casa, estabeleceu as metas e está com o nome limpo na praça? Hora de pensar na tão famosa reserva de emergência. A vida é uma caixinha de surpresas e, bem, as tais surpresas nem sempre são das melhores. Ter uma reserva de emergência é não dar sopa ao azar e estar preparado para grandes gastos que surgem do nada (o motor do carro que fundiu, um remédio caríssimo) e o desemprego, que às vezes chega sem avisar.

Não necessariamente a lógica aqui é do quanto mais melhor, até porque a sua reserva de emergência deve estar em um investimento seguro (conservador na linguagem do gerente do seu banco). Depois de ter essa grana segura, você pode pensar em maneiras mais arriscadas — e rentáveis — de investir seu dinheiro.

Pense no mínimo que sua família precisa para viver bem um mês. Uma boa reserva de emergência é o equivalente a, pelo menos, três meses. Doze meses é o melhor do mundos. Trocando em miúdos: se do dia para noite todas suas fontes de renda desaparecessem, você conseguiria viver bem por três meses? Esse pode ser seu ponto de partida.

 

Invista devagar e sempre

Liberdade financeira e investimento são partes de uma mesma conversa. Depois de ter a sua reserva de emergência, o desafio seguinte é criar uma rotina de investimentos — hábito que 58% dos brasileiros não têm. Mesmo que seja pouco, faça desse pouco uma constante.

Não vamos entrar aqui em onde investir seu dinheiro, se renda fixa ou variável, se previdência privada ou não, se poupança isso ou aquilo. Mas investir, devagar e sempre, é o caminho para chegar lá. Quanto mais você investe, maior é o total que vai estar rendendo juros para você — essa é a bola de neve do bem e que você quer na sua vida.

O que começa, lá atrás, com você organizando a casa e pondo os ganhos e gastos na ponta do lápis (ou na tela do celular), se converte, lá na frente, em liberdade financeira e uma aposentadoria mais tranquila.

 

Gostou deste conteúdo do blog da emDia? Compartilhe nas suas redes sociais e leve essa mensagem para os seus amigos e seguidores.

 

Ver mais textos do Blog

Marcella Menasce

por Marcella Menasce