Pagamento mínimo do cartão de crédito: tire suas dúvidas

25 de outubro / 2021 (atualizado)

Se você já caiu na tentação de fazer o pagamento mínimo do cartão de crédito – ou cogita seriamente essa possibilidade -, esse texto é para você!

A gente sabe que comprar parcelado no cartão de crédito é uma facilidade e tanto, especialmente quando não dispomos de todo o dinheiro para pagar uma conta à vista. Mas é preciso cuidado: comprinhas atrás de comprinhas podem virar uma bola de neve e ‘parcelar as parcelas’, fazendo o pagamento mínimo do cartão de crédito, nem sempre é uma boa opção.

Por isso, antes de se entregar a essa tentação é preciso conhecer mais sobre as regras do jogo. E é sobre isso que vamos falar neste post. Leia e saiba em que consiste, quais são os riscos envolvidos e outros pontos relevantes sobre o pagamento mínimo do cartão de crédito!

O que é o pagamento mínimo do cartão de crédito?

Trata-se da parcela mínima que o consumidor deve pagar para não ficar em atraso com a operadora do cartão. O pagamento mínimo é um percentual determinado na data de fechamento da fatura e é formado por:

  • 15% das compras mensais;
  • 15% das compras em aberto da fatura anterior;
  • 100% de qualquer lançamento (juros, IOF, multa de atraso/saque).

Caso o pagamento feito pelo cliente seja inferior ao valor total da fatura, mas seja superior ao pagamento mínimo do cartão de crédito, ele não ficará em atraso.

Quais os riscos do pagamento mínimo?

O pagamento mínimo do cartão de crédito significa que não houve pagamento total da fatura. O que restar será cobrado no mês seguinte, acrescido de juros mais as novas compras realizadas no período. É nesse sentido que atua o crédito rotativo. Ele é oferecido aos clientes que não conseguem pagar a fatura completamente.

Se, por um lado, o crédito rotativo ajuda, por outro lado ele torna a dívida ainda mais pesada por causa dos juros, que são altíssimos e giram em torno de 11,32%. É possível consultar os valores mensais no site do Banco Central do Brasil.

Vamos considerar um exemplo para compreender melhor como o crédito rotativo se apresenta.

Digamos que você ganhe R$ 3.500,00 e que a fatura do cartão veio no valor de R$ 2.000,00. Diante da necessidade de pagar aluguel, contas de água, luz, telefone, internet e assumir outros compromissos financeiros (manutenção do carro, compras de supermercado, mensalidade das escolas dos filhos e assim por diante), você preferiu fazer o pagamento mínimo.

O mínimo, que será de 15% (vale lembrar que esse percentual varia conforme a operadora), corresponde a R$ 300,00. Então, você ficou com R$ 3.200,00 para arcar com as outras despesas.

No mês que vem, como virá a fatura? Para saber, é necessário calcular os juros do crédito rotativo e outras coisas. Os 85% que não foram pagos virão com juros, cobrança de IOF mensal (0,38%) e diário (0,0082%) em cima dos juros e o total das compras realizadas no mês. Vejamos o cálculo da fatura:

  • valor rotativo: R$ 2.000,00 – R$ 300,00 = R$ 1.700,00;
  • juros do crédito rotativo: R$ 1.700,00 + R$ 11,32% = R$ 1.892,44;
  • IOF mensal: 0,38% x R$ 1.700,00 = R$ 6,46;
  • IOF diário: 0,0082% x R$ 1.700,00 = R$ 0,1394;
  • IOF diário durante o mês: R$ 0,1394 x 30 = R$ 4,182;
  • total = R$ 1.892,44 + R$ 6,46 + R$ 4,182 = R$ 1.903,08.

Se você não fez nenhuma compra durante o mês, tudo bem. Vai ficar com R$ 1.596,92 para assumir todas as outras despesas recorrentes de sua casa. Mas, ainda assim, talvez não seja suficiente.

Caso tenha feito novas compras, o orçamento vai ficar apertado para assumir o valor total — e sabemos o quanto fica difícil controlar essas compras no cartão quando nos habituamos a fazê-las.

Consideremos que você tenha feito R$ 500,00 de compras. Então, terá o total a pagar de R$ 2.403,08. Se preferir assumir o pagamento mínimo do cartão de crédito, pagará R$ 360,46. Na próxima fatura, virá R$ 2.042,6197 mais os juros do rotativo, o IOF mensal e o diário e o valor das novas compras.

Percebe que, a cada mês, o valor da fatura fica mais alto, aproximando-se mais de sua renda? Para lidar com essa dificuldade, muitas pessoas deixam de pagar outras contas (luz, água) com o intuito de se livrar logo da fatura do cartão ou recorrem a algum empréstimo para pagar dívidas — ou seja, a situação vai se complicando, não é verdade?

O que acontece com o meu limite quando pago o mínimo do cartão?

Quando se faz o pagamento mínimo do cartão de crédito, o limite do cartão fica comprometido. Os bancos tendem a liberar crédito apenas em relação à parte paga. Assim, se você paga, como no exemplo anterior, R$ 300,00, a tendência é que seu limite fique proporcional a esse valor.

Claro que, quando você pagar a fatura total, o limite será restaurado em até três dias úteis depois da compensação do pagamento. Esse prazo pode ser menor se você pagar diretamente na administradora/banco do cartão.

Vale mais a pena parcelar a fatura ou pagar o mínimo?

Na verdade, o melhor é pagar a fatura integral. Entretanto, se você tiver que escolher entre parcelamento e pagamento mínimo da fatura, é bom considerar e comparar as vantagens e as desvantagens de cada um.

O parcelamento apresenta taxa de juros fixa e mais baixa que a do rotativo, e o prazo de pagamento é maior. Contudo, o limite do cartão é bloqueado, sendo liberado conforme as parcelas são pagas.

Caso alguma parcela seja atrasada, o cancelamento do acordo pode acontecer. Desse modo, o cartão pode ser cancelado e você ficar com o nome negativado. Assim, será necessário fazer um novo acordo de parcelamento com juros. Porém, durante o parcelamento, se você antecipar parcelas, os juros serão descontados.

Se você for parcelar o saldo do rotativo após 30 dias limites, considere se não pode quitar todo o débito — caso contrário, pagará os juros do rotativo mais os do parcelamento.

Quais são os riscos de não pagar o cartão de crédito?

Já mostramos que, pagando o mínimo, você terá que assumir juros e encargos sobre o valor restante. Se não pagar a fatura, seja parcial, seja integral, seja parcelada, as despesas vão acumulando. Os juros de cartão são considerados os mais altos do mercado. Outras consequências da inadimplência são:

  • limite bloqueado;
  • cancelamento do cartão;
  • nome negativado;
  • queda no score de crédito;
  • em alguns casos, cobrança judicial, que obriga o devedor ao pagamento.

O pagamento mínimo do cartão de crédito é uma opção, mas envolve riscos. Se você deseja quitar suas dívidas com segurança e boas opções de descontos, pode acessar uma plataforma digital especializada em negociação de dívidas, como a emDia.

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Gabriella Araujo

por Gabriella Araujo