O que é taxa de juros: entenda de uma vez como ela funciona

17 de novembro / 2021 (atualizado)

Encarada por muitas pessoas como uma verdadeira vilã, a taxa de juros está envolvida em diversas transações financeiras. Também conhecida como taxa de crescimento do capital, seu conceito está relacionado ao dinheiro aplicado e ao tempo total dessa aplicação.

Por exemplo, quem empresta uma quantia de dinheiro, além de ficar sem ela durante um certo período, ainda corre o risco de não receber o montante de volta. Nesse caso, a existência da taxa é justamente uma maneira de compensar esses fatores e tornar a operação viável.

Por esse motivo, é essencial saber como funcionam as taxas de juros, afinal elas estão presentes em diversos momentos do nosso dia a dia, como no cheque especial, no cartão de crédito, nas aplicações financeiras, nos empréstimos e por aí vai.

Neste post, vamos explicar de forma simples e prática o que é a taxa de juros, como ela funciona e de que maneira afeta suas finanças. Continue a leitura e saiba mais sobre o assunto!

O que é taxa de juros?

Os juros, de um modo geral, são a remuneração paga pelo capital que é emprestado. Ou seja, é como se fossem o rendimento recebido ao emprestar dinheiro a alguém, considerando um determinado período e as condições preestabelecidas.

A taxa de juros, por sua vez, é a relação existente entre os juros recebidos pelo investidor e o quanto de recurso foi emprestado. Em outras palavras, é o percentual calculado pela divisão dos juros contratados pelo capital emprestado/poupado.

Em geral, ela é apresentada em bases anuais, mas há também aquelas semestrais, trimestrais, mensais ou diárias, representando a porcentagem de ganho realizado na aplicação do capital em algum empreendimento.

Por exemplo, uma taxa de juros de 10% ao ano significa que, para cada real aplicado, um adicional de R$ 0,10 deve ser retornado após um ano como uma forma de remuneração pela utilização daquele capital.

O comportamento financeiro dos consumidores, a inadimplência, a taxa de juros Selic e as tributações sobre as operações financeiras são os principais fatores que influenciam a determinação da taxa de juros. Além disso, é importante ressaltar que nem todos os juros seguem exatamente os mesmos fundamentos, como as taxas fixas e as variáveis.

Na primeira, você já conhece quais serão os juros aplicados na hora em que realiza o empréstimo, e as taxas são mantidas até o final do período de contrato. No caso das variáveis, os juros cobrados passam por mudanças ao longo do tempo, o que torna quase impossível saber exatamente o valor a ser pago ou recebido.

O que é taxa Selic?

No Brasil, a taxa básica de juros é calculada pela Selic, que é definida pelo Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central a cada 45 dias para manter o controle financeiro brasileiro.

Trata-se de uma ferramenta de política monetária utilizada para incentivar a atividade econômica e conter a inflação do país. Ou seja, podemos dizer que a função da taxa Selic é tentar disciplinar os juros em toda a economia do país.

É com base nela que os bancos determinam os juros que serão cobrados de seus clientes em empréstimos, por exemplo. Desse modo, o Banco Central controla a quantidade de moeda que circula na economia, influenciando a inflação.

Para atualizar a Selic, as autoridades avaliam variáveis como inflação, atividade econômica, taxa de câmbio, importações e exportações e contexto político nacional e internacional para estabelecer se ela sobe, desce ou se mantém no mesmo patamar.

Com isso, quando a Selic aumenta, a tendência é que também aumentem as taxas de juros de empréstimos e de financiamentos. Isso, de certa forma, desestimula o consumo e a tomada de crédito, tornando as aplicações de renda fixa mais atraentes do que outros investimentos. Mas, se a Selic cair, acontece o oposto: o crédito se torna mais barato, estimulando o consumo dos brasileiros.

Por exercer impacto em outros tipos de juros, a taxa Selic tem uma enorme importância na economia brasileira, além de ser um dos principais critérios utilizados em títulos de renda fixa, influenciando diretamente o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — indicador da inflação. Dessa maneira, o índice acompanha o aumento ou a redução generalizada dos preços, seguindo o mercado e o poder de compra.

Como funciona a taxa de juros?

Agora que você entende melhor o que é a taxa de juros, é importante que saiba como funciona na prática. Afinal, eles podem ser representados de duas maneiras: em percentual ou em valor monetário.

No primeiro caso, representam o quanto será pago sobre o saldo devedor ou o quanto será ganho percentualmente em caso de uma aplicação financeira sobre o montante aplicado.

No segundo, os juros simplesmente significam o quanto em dinheiro o devedor pagará pelo empréstimo do recurso. E, no caso de uma aplicação, significa a quantidade recebida por ter feito determinado investimento.

De forma resumida, as taxas de juros funcionam como uma compensação pelo tempo que o dinheiro ficou emprestado ou investido. Assim, sempre que você financia a compra de um bem ou toma um empréstimo, paga juros, pois alguma pessoa está deixando de consumir hoje para consumir futuramente. Do mesmo modo, ao aplicar seu dinheiro em um investimento, você recebe juros, como no caso da poupança.

Para determinar o cálculo dessas taxas, tudo dependerá do que foi definido no contrato. Mas, em geral, são considerados:

  • o índice de inflação;
  • os riscos do empréstimo (quanto maior for, mais altos serão os juros);
  • a compensação pela não aplicação do dinheiro em outro investimento;
  • os custos administrativos.

Além desses critérios, as taxas de juros oscilam dependendo de outras referências a cada tipo de contrato, a exemplo da taxa Selic, que controla a inflação.

Mas você já parou para pensar no quanto essas taxas de juros influenciam a sua saúde financeira? Na prática, existem algumas operações mais comuns em que os juros estão envolvidos, veja:

  • cheque especial — modalidade que disponibiliza crédito automaticamente na conta do cliente quando ele está com saldo negativo. Devido à facilidade de acessar esse dinheiro, os juros praticados estão entre os mais altos do mercado;
  • crédito rotativo do cartão — é acionado quando você paga uma quantia diferente daquela indicada como total da fatura do cartão de crédito, seja a parcela mínima ou algum valor que não o integral. Geralmente, apresentar taxas ainda mais caras do que o cheque especial;
  • crédito pessoal consignado — é um tipo de empréstimo indicado a aposentados, pensionistas, trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que apresenta o desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento. A grande vantagem é que ele possui juros mais baixos do que o cheque especial;
  • aplicação em previdência privada — os fundos de previdência funcionam basicamente como qualquer outro investimento. Ao apostar na modalidade, o seu dinheiro vai render a partir da aplicação dos juros.

O que define as taxas de juros?

Podemos dizer que os juros são compostos por meio de um processo denominado regime de capitalização. Existem diferentes tipos de taxas de juros e cada modalidade exerce uma função diferente no contexto em que são aplicadas. Veja, a seguir, como essa remuneração pode ser dividida!

Juros simples

São aqueles negociados com antecedência e não mudam com o passar do tempo. É uma taxa determinada previamente que incide apenas sobre o valor inicial do empréstimo pessoal ou do investimento.

Juros compostos

Também conhecidos como “juros sobre juros”, esse tipo de taxa continua agindo durante todo o período de duração do empréstimo, do débito ou do investimento. Assim, a soma é realizada sobre o valor inicial e também sobre os juros dos meses anteriores.

Juros de mora

Muito utilizada quando se atrasa um pagamento, a taxa de juros de mora ou moratória reincide sobre o valor conforme o período de atraso, isto é, quem não paga o combinado dentro do prazo deve arcar com essa indenização adicional.

Juros nominais

Envolvem as correções monetárias sobre o valor em questão, ou seja, o cálculo considera a inflação do período. Por isso, essas taxas são apropriadas para exemplificar os efeitos da inflação em um certo período.

Juros reais

Ao contrário dos juros nominais, os reais não incluem correção monetária e inflação em seu cálculo. Consequentemente, se a inflação em um período for menor, tanto os juros nominais quanto os reais apresentarão o mesmo valor.

Juros rotativos

Normalmente, os juros rotativos são bem altos, pois incidem sobre o saldo de uma dívida. Por isso, se trata de uma cobrança por atraso no pagamento da fatura do cartão de crédito ou de um financiamento, por exemplo. O ideal é evitá-lo para ficar longe de complicações financeiras.

Juros sobre capital próprio

Essa taxa é específica para dividendos de empresas, sendo calculada com base nos seus lucros. De modo geral, as organizações distribuem pelo menos parte desse valor aos seus acionistas, dividindo os juros sobre o capital próprio.

Por que tenho que pagar juros?

Como vimos, a taxa de juros está presente no dia a dia de todos os consumidores, seja por meio de operações financeiras, do poder de compra ou no preço das mercadorias, por isso ela incide de modos distintos sobre cada situação.

Porém, o que algumas pessoas podem não saber é que, na maioria das vezes, acontecem cobranças abusivas no valor desses juros em alguns contratos, ultrapassando a taxa média do mercado financeiro. O resultado disso são endividamentos, já que as pessoas passam a ter acesso a diferentes tipos de créditos com altas taxas de juros, aumentando, assim, o valor total devido.

Por isso, aqueles que desejam solicitar um empréstimo ou até mesmo investir dinheiro devem ficar atentos para evitar fraudes e cobranças abusivas, assim como avaliar a capacidade de pagamento do compromisso. Isto é, considerar qual será o valor final e se ele realmente cabe no seu bolso.

No caso de você ter uma empresa, uma opção é utilizar os birôs de créditos para realizar uma análise mais justa dos consumidores, reduzindo as taxas de juros de empréstimos e de financiamentos. Isso permite que os clientes renegociem suas dívidas e melhorem sua saúde financeira.

Diante disso, para ter um maior controle das suas finanças e de como o seu dinheiro é aplicado, é essencial aprender sobre o que são taxas de juros e, principalmente, como utilizá-las a seu favor.

Como as taxas de juros impactam o seu bolso?

As taxas de juros estão presentes no nosso cotidiano mais do que imaginamos. Como abordamos ao longo do artigo, elas se relacionam a empréstimos, a cartões de crédito, a financiamentos e a itens básicos consumidos diariamente. Em virtude disso, quando desconhecemos ou ignoramos a influência dessa taxa, muitas consequências surgem com o passar do tempo.

Além disso, as taxas também atuam nos investimentos realizados. Nesse caso, escolher entre uma taxa fixa ou variável pode ser determinante para que a rentabilidade de seus títulos seja positiva ou deixe a desejar.

É aí que entra o controle financeiro, um hábito essencial para organizar todas as receitas e as despesas de um período. Afinal, muitas pessoas não sabem quanto ganham nem quanto gastam por mês, e essa é a principal razão do descontrole financeiro.

Ter controle financeiro pessoal é a maneira mais simples de cuidar do seu dinheiro. Isso permite equilibrar as finanças, controlar gastos, realizar aplicações de médio e longo prazo, fazer investimentos, criar uma reserva emergencial e outras medidas importantes para manter a saúde financeira.

Portanto, é fundamental ficar de olho nas mudanças que as taxas de juros apresentam e também nos benefícios de cada uma delas dentro de um contexto específico!

Esperamos que você tenha gostado do nosso artigo e que tenha entendido claramente o que é taxa de juros para que tenha um bom controle das suas finanças e evite o pagamento de juros altos.

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Gabriella Araujo

por Gabriella Araujo