Aumento dos preços no Brasil: por que está tudo tão caro?

22 de novembro / 2021 (atualizado)

O aumento dos preços já gerou vários memes nas redes sociais. Tem gente que está perto de vender o carro para conseguir comprar gasolina. Há quem ofereça cesta básica na troca por um terreno. Já outros exibem a nova tendência: churrasco de ovo. Pois bem, uma voltinha no supermercado virou um dos rolês mais caros do mundo.

É rir para não chorar, né? Brincadeiras à parte, a inflação está mesmo pesando muito no nosso bolso. E como os salários não acompanham proporcionalmente a alta das coisas, a gente perde poder de compra. Então, para manter as contas no azul, o jeito é cortar gastos do orçamento.

Quer entender melhor por que esse fenômeno acontece e como reduzir os impactos no seu bolso? Explicamos tudo neste artigo. Confira!

O que explica o aumento dos preços em 2021?

O aumento dos preços é uma das consequências dolorosas da crise causada pela pandemia de coronavírus. Como muita gente perdeu renda por conta do isolamento social, o governo precisou injetar dinheiro na economia. E quanto mais dinheiro circulando, maior é a inflação.

Mas essa não é a única razão, viu? O preço das coisas aumenta devido a um conjunto de fatores como mudanças na oferta e na demanda, alta do dólar e a desvalorização da nossa moeda. Vamos detalhar sobre isso daqui a pouco, combinado?

Antes disso, é importante que você entenda o que é inflação. Para decifrar melhor o conceito, olhe lá para trás no tempo e lembre-se do aumento histórico dos preços das coisas. Nos anos 1990, por exemplo, íamos à padaria com R$ 1,00 e voltava para casa com uns 10 pães na sacola, não é mesmo?

Hoje, com o mesmo valor, conseguimos comprar umas 2 unidades — e olha lá. Isso significa que a moeda desvalorizou, já que não dá mais para comprar as mesmas coisas que comprávamos antes. Ou seja, os preços inflacionaram e nosso dinheiro passou a valer menos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação de setembro de 2021 subiu 1,14% — maior alta para o mês desde o Plano Real. Pior que isso só lá em 1993 quando o índice foi de 1,53%. Quem viveu a época deve lembrar que os preços do supermercado quase dobravam de um dia para o outro.

Apesar de a realidade de hoje ser melhor que naquele tempo, o aumento dos preços está pesando muito no nosso bolso. Para você ter uma ideia do tamanho do problema, a meta de inflação do governo para o ano de 2021 era de 3,75%. No entanto, segundo dados do IBGE, a inflação acumulada dos últimos 12 meses já é de 10,25%. Como você pôde perceber, já ultrapassou muito, né?

Mas a pergunta que não quer calar é: o que causa isso? É importante que você entenda que não é apenas olho grande do empresário em busca de mais lucros. Existem diversos movimentos do mercado e da economia que afetam o preço das coisas. Bora conhecer essas causas?

O que influencia no aumento dos preços?

Não é uma coisa só, mas um conjunto de fatores que aumentam a inflação. A seguir, vamos explicar melhor o que causa a alta dos preços. Olha só!

Redução da oferta e aumento da procura

Quando a oferta é grande e a procura é pequena, os preços das coisas abaixam para incentivar o consumo e liberar aquele estoque parado. Por outro lado, quando a procura é alta e a oferta não é proporcional, o preço sobe para “selecionar” os compradores. Essa é a lei da oferta e demanda.

Se você olhar para o preço das frutas e verduras no supermercado, por exemplo, vai entender melhor como isso funciona. Frutas da estação, geralmente, são mais baratas por causa da alta oferta. Já os hortifrutis vendidos fora de época são mais caros porque são mais difíceis de cultivar e a disponibilidade de produtos é mais baixa. É por isso que substituir alimentos por itens da estação é uma boa dica de economia doméstica, entende?

Agora, v amos contextualizar essa informação com a alta generalizada dos preços, porque houve um desequilíbrio muito grande na oferta e na demanda por causa da pandemia. Diante da crise, muitos países decidiram parar de exportar e segurar o estoque de produtos para uso doméstico. O objetivo dessa estratégia era evitar o desabastecimento.

Por outro lado, o Brasil adotou uma postura diferente: não incentivou a comercialização para o mercado interno e continuou com as exportações a todo vapor. Sem estoque e com dificuldades de importar, faltaram produtos para o mercado nacional. O resultado você já pode imaginar: com demanda alta e oferta baixa, os preços sobem.

Custos de produção mais caros

A lógica é simples: se o preço do óleo aumenta, o pastel frito da feira também fica mais caro, não é mesmo? Pois bem, o aumento nos custos de produção — matéria-prima, energia, mão de obra etc. — deixa tudo mais caro. É uma espécie de efeito dominó que afeta todo mundo, sabe?

Pense no trabalho dos motoristas de aplicativo, por exemplo. Se a gasolina aumentar, os custos para trabalhar também sobem e a margem de lucro diminui. Por causa do pouco retorno financeiro, muitos motoristas pararam de atuar na área. O passageiro sente o resultado na rua com menos carros a disposição, maior tempo de espera e aumento no preço da viagem por causa da baixa oferta e da alta demanda. Daí, para economizar, o jeito é colocar a bike para jogo.

Alta do dólar

De acordo com o portal de notícias BBC Brasil, em 2020, a nossa moeda perdeu 28% do valor em relação ao dólar. Já em outubro de 2021, o real foi a 4ª moeda que mais desvalorizou. Ou seja: comprar produtos importados está mais caro.

E não estamos falando apenas de eletrônicos, carros e essas coisas, viu? Boa parte das commodities — produtos de origem primária, como trigo, milho, soja e cana-de-açúcar — são cotados em dólar.

O mercado nacional precisa desses insumos para criar gado, fazer pão, produzir óleo de soja e por aí vai. Então, mesmo quando a produção é feita por aqui, os preços são afetados pela alta da moeda estrangeira, sabe? Moral da história: a alta do dólar é um dos principais motivos para o aumento nos alimentos.

Tem mais: como o real está desvalorizado, os produtores preferem exportar para ganhar em dólar e lucrar mais. Sendo assim, existe uma baixa oferta no mercado nacional, o que provoca o aumento dos preços.

Sem contar no aumento da demanda no mundo inteiro por causa da pandemia. Lembra que já falamos da lei da oferta e procura? Pois é: com maior demanda e menor oferta no mercado, os preços sobem.

O que mais aumentou no Brasil?

Você já deve ter percebido que os maiores vilões da inflação estão no supermercado e nos postos de combustíveis, não é mesmo?

De fato, os alimentos e a gasolina subiram bastante e estão abocanhando uma maior parcela do orçamento doméstico. Também houve aumento na conta de luz e no gás de cozinha. Olha só a inflação acumulada em 12 meses — até setembro de 2021 — dos seguintes itens:

  • pimentão: 96,34%;
  • abobrinha: 64,93%;
  • etanol: 64,77%;
  • passagem aérea: 56,81%;
  • batata-doce: 54,28%
  • açúcar refinado: 43,90%
  • gasolina: 39,60%;
  • gás veicular: 38,46%;
  • açúcar cristal: 38,37%;
  • filé mignon: 37,57%
  • botijão de gás: 34,67%;
  • pneu: 33,14%;
  • óleo diesel: 33,05%
  • óleo de soja: 32,06%;
  • fubá de milho: 28,90%
  • energia elétrica residencial: 28,82%;
  • frango em pedaços: 28,78%;
  • frango inteiro: 28,78%;
  • café moído: 28,54%.

Vamos combinar que dá para viver tranquilamente sem algumas dessas coisas, né? Por outro lado, nessa lista estão muitos itens essenciais para a sobrevivência. Então, para driblar a alta dos preços, é legal fazer alguns ajustes no orçamento. Vamos dar algumas dicas a seguir.

Como reduzir os impactos de tudo isso no bolso?

Uma coisa a gente não pode negar: a alta dos preços diminui o nosso poder de compra. Afinal de contas, ou você gasta mais para manter o estilo de vida, ou muda o padrão de consumo fazendo cortes e substituições.

Em vez de comer carne vermelha, por exemplo, muita gente colocou o ovo no cardápio. É o que mostra uma pesquisa da Datafolha. De acordo com o levantamento, 85% dos brasileiros reduziram o consumo de algum alimento em 2021, sendo que:

  • 67% compram menos carne bovina;
  • 51% reduziram os gastos com refrigerantes e sucos;
  • 46% deixaram de comprar alguns laticínios;
  • 39% diminuíram o consumo de frango, porco, entre outros tipos de carne;
  • 36% gastam menos com frutas, legumes e verdura;
  • 38% reduziram as massas do cardápio.

Apesar de não ser uma informação muito legal de se ouvir, existem pequenas mudanças que você pode fazer no seu dia a dia para viver bem e com as contas no azul. Confira nossas dicas!

Procure fontes de renda extra

Já pensou em ganhar dinheiro para passear e cuidar de outros cachorros? Quem ama animais adoraria um trabalho desses, não é mesmo? Pois bem, existem diversas formas de fazer renda extra sem comprometer a sua atividade principal. Por exemplo:

  • vender coisas que não usa mais, como aquela bicicleta ergométrica que virou cabideiro, roupas, sapatos, eletrônicos, móveis e por aí vai;
  • alugar o carro ou ser motorista por aplicativo;
  • alugar um quarto da casa;
  • fazer artesanatos e comidinhas para vender.

Vale a pena dar uma garimpada em casa para identificar itens que possam ser usados para criar renda, complementar o orçamento doméstico e fazer sobrar dinheiro no fim do mês.

Aposte na economia colaborativa

Que tal montar um grupo de carona solidária com pessoas que moram próximas da sua casa para ir e voltar ao trabalho todos os dias? Compartilhar recursos é o princípio da economia colaborativa. Além de driblar o aumento da gasolina, você ainda reduz os impactos negativos que o consumismo causa ao meio ambiente.

Reduza os gastos com energia elétrica

Você percebeu que a energia elétrica está naquela listinha de itens que mais inflacionaram em 2021, né? Pois bem, no acumulado dos últimos 12 meses, houve um aumento de 28,28%. Sendo assim, saber como economizar na conta de luz é uma boa pedida. Olha só algumas dicas:

  • retire da tomada os eletrônicos que não estiverem em uso;
  • conecte o celular ou notebook na tomada apenas quando a carga estiver acabando;
  • aproveite ao máximo a luz natural;
  • abra portas e janelas para manter o ambiente arejado e reduzir o uso de ar-condicionado e ventiladores;
  • use lâmpadas de LED;
  • reduza a temperatura do chuveiro no verão e tome banhos mais rápidos;
  • substitua eletrodomésticos antigos por novos com maior eficiência energética;
  • fique de olho na manutenção dos eletrônicos — uma geladeira com borracha rasgada, por exemplo, gasta mais energia.

Planeje as compras

Planejar significa pensar lá na frente e colocar no papel tudo o que você precisa comprar. Com isso, fica mais fácil organizar o orçamento e destinar recursos para pagar pelas coisas importantes.

Se você precisa de uma geladeira nova, por exemplo, é legal programar a aquisição. Afinal de contas, se o aparelho quebrar de uma hora para outra você pagará mais caro pelo item por causa da compra urgente, não é mesmo?

Com a compra programada, você tem tempo para pesquisar e pode estabelecer um limite de gastos. Daí é possível acompanhar o sobe e desce de preços, ficar de olho nas promoções e até aproveitar a oportunidade de comprar o item de segunda mão em bom estado.

Isso vale para tudo, inclusive para economizar no supermercado, viu? Antes de ir às compras, é interessante pensar nas refeições da semana e olhar o que já tem na dispensa para comprar apenas o necessário. Esse planejamento é importante até para decidir pela compra mensal ou semanal no supermercado.

É verdade que o aumento dos preços está pesando no nosso bolso. Logo, o jeito é fazer algumas mudanças no padrão de consumo e economizar. Então, siga as dicas que demos por aqui para ter qualidade de vida e manter as contas no azul, combinado?

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Gabriella Araujo

por Gabriella Araujo