Quais as principais causas do endividamento?

11 de agosto / 2020 (atualizado)

O endividamento das famílias é um problema sério no Brasil. Atualmente, boa parte dos lares conta com, pelo menos, uma dívida. Por causa disso, muita gente vive com ansiedade e estresse. Além de sofrer bastante com a situação, as pessoas também ficam um pouco mais longe de suas metas financeiras. Afinal, ter o nome negativado torna mais difícil alcançar sonhos de consumo.

Mas quais são as causas mais comuns desse endividamento? Se a gente descobrir, podemos evitar essa situação? Continue a leitura deste post e confira essas respostas!

Panorama do nível de endividamento das famílias no Brasil

Se você tem dívidas no momento, não precisa se envergonhar. Atualmente, essa é uma situação bem comum no Brasil, sabia? De acordo com dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), cerca de 67,4% das famílias brasileiras se declararam como endividadas em julho de 2020. Esse é o maior patamar registrado desde 2010.

A pesquisa também indicou que 15,5% das famílias afirmaram estar “muito endividadas”, um aumento de 2,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Em termos de duração, a pesquisa indicou que, para mais de um terço dos endividados, o compromisso dura por mais de um ano.

Principais causas do endividamento

É verdade que o nível de endividamento das famílias é alto no Brasil. Afinal, quase 7 em cada 10 lares estão com dívidas. Mas por que será que isso acontece?

Existem alguns motivos mais comuns para explicar o endividamento das famílias. Não significa que eles cubram todos os casos, claro. Afinal, cada uma tem a sua história particular. Entretanto, entender as razões mais comuns ajuda a evitá-las. Confira as principais causas a seguir!

Desemprego

A principal razão para o endividamento é bem óbvia quando a gente pensa no assunto: o desemprego. Se as pessoas não estão empregadas, não recebem salário. Se não tem dinheiro, não dá para pagar as contas, não é mesmo?

Hoje em dia, a taxa de desemprego no Brasil é de 14,4%. Isso significa que praticamente 13 milhões de pessoas não têm um trabalho. A dívida geralmente aparece nesses casos, quando alguém é pego de surpresa pela demissão logo após ter se comprometido com uma compra parcelada, por exemplo.

Para complicar tudo, mesmo quem conseguiu uma recolocação no mercado sofre com o endividamento. Isso porque o novo salário é menor que o antigo em alguns casos. Desse modo, não dá para arcar com os mesmos gastos de antes.

Falta de educação financeira

educação financeira

Uma razão que aumenta as chances de se endividar é a falta de educação financeira da população. Afinal, os mecanismos econômicos do mercado são um pouco complicados de dominar. Um erro ao lidar com o rotativo do cartão de crédito, por exemplo, pode se transformar em uma dívida difícil de lidar.

Quanto menos educação financeira, mais fácil é cometer esse tipo de equívoco e maiores são as chances de acumular dívidas por causa disso.

Uso inadequado do cheque especial ou crédito rotativo

cartão de crédito

crédito rotativo ou o cheque especial são ferramentas para situações de emergência. No entanto, se mal utilizadas, se transformam em vilões da vida financeira. A razão disso é bem simples: eles têm os maiores juros do mercado. Assim, uma dívida pequena se transforma rapidamente em um débito enorme. É por isso que é preciso ter muito cuidado ao usar essas modalidades.

Consumo excessivo

consumo excessivo

Aproveitar uma promoção talvez pareça uma ótima maneira de finalmente comprar aquele produto que a gente estava namorando há um bom tempo, né? Porém, essa também é uma maneira de se endividar. Isso porque compras por impulso são uma fonte fértil de dívidas.

A razão disso é fácil de entender: se compramos sem planejamento, podemos ultrapassar o limite de gastos. Se não tivermos como pagar naquele mês, o débito cai no rotativo do cartão (ou no cheque especial) e começa a contar juros. Esse é um cenário típico para o efeito bola de neve criar uma dívida enorme.

Falta de uma reserva de emergência

A reserva de emergência é muito necessária, mas infelizmente grande parte da população brasileira não a tem. O mais indicado é ter uma quantia equivalente a pelo menos 3 meses da renda líquida da família para usar nas situações de emergência.

Com a falta de uma reserva, qualquer surpresa que surgir, como uma cirurgia de emergência, acidente de carro ou o atraso do salário, cria um grande rombo nas finanças, fazendo com que você pague juros por muito tempo e demore para se recuperar.

Má administração das finanças

A má administração financeira pessoal é uma causa muito comum de endividamento. Quando não se sabe muito sobre o montante recebido e sobre o que é gasto no mês, administrar as finanças se torna uma missão praticamente impossível.

A melhor solução é sempre ter um bom controle de todas as contas para não se endividar. Como você já sabe, é muito mais vantajoso investir em conhecimento sobre administração financeira do que passar inúmeras noites sem dormir por ficar pensando em dívidas e mais dívidas.

Juros do crediário

As compras impensadas que prejudicam o orçamento são uma grande causa do endividamento das pessoas. Por essa razão, é fundamental saber como evitar o consumo, sobretudo de compras com crediário.

Sabe por que evitá-lo ao máximo? Para que você não fique com seu orçamento apertado e se atole em dívidas. Afinal de contas, geralmente a taxa média de juros que é cobrada nas operações de crediário é de aproximadamente 110% ao ano.

É importante mencionar que essas taxas são menores quando comparadas com as de outras linhas de crédito, como o crédito rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. No entanto, não deixam de ser muito altas, e é um verdadeiro erro recorrer a ele. Não é à toa que está na lista das principais causas do endividamento das pessoas.

Fazer empréstimos impulsivos

Jamais faça empréstimos sem antes pensar muito nas consequências e verificar se há mesmo a necessidade de contratá-lo. É importante identificar a razão pela qual você realmente está precisando desse valor.

Por exemplo, usar o dinheiro para pagar viagens, comprar um carro novo ou ter mais dinheiro para comprar coisas que não estavam no seu planejamento pode fazer com que você e sua família fiquem em uma situação financeira bastante complicada. Não se esqueça de que os empréstimos pessoais têm altas taxas de juros também, que ficam na casa dos 4,5% ao mês.

Lembrando que temos ainda um vídeo que apresenta algumas causas do endividamento para que você possa evitá-las ao máximo. É só conferir neste link!

Dicas para evitar o endividamento

Entender as causas do endividamento familiar é o primeiro passo para evitá-lo. No entanto, não basta saber o que causa as dívidas, não é? Você precisa também saber como agir para não ter problemas com elas. Por isso, confira abaixo algumas boas ações que diminuem as chances de você se endividar.

Investir em educação financeira

Lembra de que uma das razões para o endividamento familiar era o baixo nível de educação financeira no Brasil? Você poderá diminuir os riscos de entrar para essa lista se aprender mais sobre essas ferramentas.

Sabemos que a educação financeira é um pouco intimidadora. Afinal, o “economês” é uma linguagem que nos assusta. No entanto, não é difícil aprender os mecanismos básicos da sua vida financeira. Com um pouco de dedicação (e bons professores), você aprende os pontos mais importantes.

Uma forma fácil de entender mais sobre o assunto é acompanhar o nosso blog e as nossas redes sociais. Por aqui, falamos sobre diversos assuntos essenciais para a sua vida financeira, ensinando como lidar com dinheiro e se prevenir das dívidas. Tudo de maneira acessível e descomplicada.

Anotar todos os gastos

Uma maneira de controlar os gastos para evitar dívidas é anotar todas as compras que você faz. Se você não gosta de usar papel e caneta, conte com um aplicativo de organização financeira. Dessa forma, você controla melhor quanto pode gastar em cada momento do mês. Deu dia 15 e passou um pouco da meta para o período? Não tem problema: dá pra corrigir na segunda quinzena do mês.

Enumerar suas prioridades

Uma ótima dica é entender quais são seus gastos e passar a enumerar as prioridades. Assim, você sabe o que abandonar e o que é realmente indispensável para a família. Em uma planilha ou papel, identifique quanto do seu ganho vai para:

  • pagamento das contas fixas e básicas (água, energia elétrica, supermercado, internet etc.);
  • outros gastos recorrentes (combustível, impostos, prestação da casa, plano de saúde etc.);
  • valor que sobra do seu rendimento para o “poder de compra”.

O mais recomendado aqui é ter uma conversa bem cuidadosa com todas as pessoas da família para que todos cheguem a um acordo e definam o que é prioridade em casa.

Planejar as compras

Quando você sai para fazer compras sem pensar muito nelas, dificilmente vai ter noção de quanto está gastando. Dessa forma, há uma chance muito grande de não pagar as contas e, com isso, ficar inadimplente.

Por isso, fazer um planejamento é a melhor solução, pois vai ajudar a ter um controle maior sobre suas compras e a parar de gastar com o que é desnecessário. A consequência disso? Uma conta bancária sempre no azul. Mas saiba que, para assegurar que esse processo vai funcionar na sua casa, é preciso ter um bom planejamento e um controle de gastos durante todo o ano, certo?

Dar preferência a compras à vista

Sabe uma maneira muito inteligente de ficar bem distante das dívidas? Fazendo suas compras à vista. Um grande fator de endividamento de muitas pessoas inadimplentes decorre de pagamentos parcelados, especialmente com crediários e cartões de crédito.

Por esse motivo, evitar os parcelamentos é uma sábia estratégia. Lembre-se de que as dívidas parceladas contam com taxas de juros bem altas, dificultando muito o pagamento. Então, a melhor saída é sempre fugir delas.

Além de evitar que você se endivide, as compras à vista tendem a ser muito vantajosas, afinal, por causa dos juros ligados aos parcelamentos, esse tipo de compra tende a ficar mais barato, pesando menos no bolso dos consumidores.

E não para por aí: outra vantagem de pagar à vista, principalmente se for com dinheiro vivo, é que você sente o impacto financeiro no orçamento mensal logo na hora da compra. Isso não acontece com o cartão, já que você só percebe mesmo o impacto no momento em que a fatura chega em suas mãos.

Assim, ao fazer seus pagamentos dessa forma, a tendência é que você passe a se policiar mais e a evitar gastos supérfluos com maior facilidade. Lembrando ainda que uma boa parte dos comércios oferece descontos vantajosos para aqueles que optam pelo pagamento à vista. As vantagens são muitas e você ainda fica longe das dívidas.

Evitar compras por impulso

Fazer compras por impulso é a porta de entrada para um consumismo excessivo. A consequência dessa postura é o endividamento, já que há um limite de quanto podemos pagar todos os meses. Por isso, o ideal é evitar compras por impulso. É claro que é mais fácil falar do que fazer, mas existem algumas técnicas que ajudam nisso. Veja abaixo:

  • não tenha acesso rápido ao seu dinheiro e/ou cartão;
  • use a “regra do tempo”. Quando quiser comprar algo, obrigue-se a esperar algumas horas ou dias para ver se realmente quer comprar ou se era apenas impulso;
  • evite entrar em sites de promoções ou de vendas;
  • verifique se você já não tem o item (ou algum outro parecido) em casa.

Mudar seus hábitos em relação ao seu dinheiro

Para ter equilíbrio nas finanças e evitar endividamento, é preciso também ter mudanças de hábitos. Um problema muito recorrente entre os brasileiros é gastar mais do que salário. Segundo uma pesquisa, 50% das famílias brasileiras vivem essa realidade. Obviamente que o resultado é endividamento e, consequentemente, a inadimplência.

Um passo importante e necessário para mudar isso é colocar os pés no chão e ter uma vida dentro da realidade financeira. Não se pode gastar mais do que se ganha. Então, a dica aqui é avaliar os gastos do seu dia, da sua semana e do seu mês e repensar os hábitos que prejudicam seu orçamento financeiro.

O endividamento das famílias, como visto, é um problema sério no Brasil. No entanto, é uma situação que, muitas vezes, pode ser corrigida com educação financeira, controle pessoal e organização.

Tenha em mente que, para ter equilibro financeiro, embora você esteja com dívidas no momento, é preciso estar bem consciente sobre sua situação. É a partir dessa consciência que você vai começar a tomar decisões mais pensadas e certeiras em relação às finanças.

Mas não se esqueça de que, durante o caminho, é indispensável que você mude hábitos, corte gastos, negocie dívidas e honre todos os seus compromissos. Jamais ignore a realidade que vive, pois vai virar uma bola de neve e você não vai controlar as dívidas.

Então, reveja suas finanças, tenha noção completa sobre suas dívidas e, claro, tenha muita coragem de mudar. Assim, você alcança a saúde financeira e fica livre do endividamento.

E aí, gostou do texto e quer aprender mais com os nossos conteúdos? Então, aproveite e veja um passo a passo de como quitar as suas dívidas na emDia!

Marcella Menasce

por Marcella Menasce